A estabilidade gestante é um direito trabalhista fundamental que protege mulheres grávidas contra demissões arbitrárias desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 

Conhecer essas garantias permite que trabalhadoras exerçam plenamente seus direitos enquanto vivenciam a maternidade com segurança financeira e emocional, além de assegurar que as empresas cumpram corretamente suas obrigações legais.

O que é a estabilidade gestante?

A estabilidade gestante é uma proteção legal prevista no artigo 10, inciso II, alínea “b” do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que impede a dispensa arbitrária ou sem justa causa da trabalhadora grávida.

Portanto, o período de proteção inicia-se a partir da confirmação da gravidez e estende-se até cinco meses após o parto, garantindo segurança no emprego durante essa fase delicada da vida da mulher.

De acordo com uma notícia da Rádio Senado, as gestantes enfrentam dificuldades para exercer seus direitos trabalhistas, sendo três vezes mais propensas a serem demitidas no primeiro trimestre da gravidez. 

Dessa forma, a estabilidade funciona como uma barreira legal contra práticas discriminatórias que penalizam mulheres justamente quando mais precisam de amparo profissional.

Vale destacar que a proteção se aplica mesmo quando a trabalhadora ou o empregador desconhecem a gravidez no momento da demissão. 

Além disso, os tribunais brasileiros já consolidaram o entendimento de que basta a anterioridade da gravidez à dispensa para que o direito seja assegurado, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior do Trabalho.

Quando começa e termina o período de estabilidade?

O período de estabilidade da gestante tem início desde o momento da concepção, independentemente de comunicação formal ao empregador. 

Sendo assim, mesmo que a trabalhadora descubra a gravidez após a demissão, caso comprove que já estava grávida na data do desligamento, terá direito à estabilidade ou à indenização correspondente.

A proteção estende-se até cinco meses após o parto, período estabelecido pelo legislador para permitir que a mãe se reorganize emocional e financeiramente após o nascimento do bebê. 

Dessa maneira, mesmo após o término da licença-maternidade, que geralmente dura 120 dias, a trabalhadora ainda possui garantia de emprego.

Durante esse intervalo, a gestante também tem outros direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como afastamento de atividades insalubres, mudança de função quando necessário e permissão para ausentar-se em consultas médicas sem prejuízo salarial.

Quais são os principais direitos da trabalhadora gestante?

Além da estabilidade no emprego, a legislação trabalhista brasileira assegura diversos direitos às trabalhadoras grávidas, visando proteger a saúde da mãe e do bebê. Entre os principais, destacam-se:

  • Licença-maternidade remunerada: período de 120 dias para recuperação pós-parto e cuidados com o recém-nascido, podendo ser estendido para 180 dias em empresas participantes do programa Empresa Cidadã
  • Afastamento de atividades insalubres: transferência imediata para funções compatíveis com a gestação quando a atividade oferecer riscos à saúde
  • Mudança de função: possibilidade de alteração temporária das atribuições laborais mediante apresentação de atestado médico
  • Ausências justificadas para consultas: direito de faltar ao trabalho para realizar consultas médicas e exames pré-natais sem desconto no salário
  • Estabilidade em contratos determinados: proteção estendida também para contratos de experiência e temporários, conforme Súmula 244 do TST

Esses direitos integram um conjunto de medidas protetivas que reconhecem a importância da maternidade e buscam eliminar práticas discriminatórias no ambiente de trabalho.

O que acontece em caso de demissão irregular?

Quando uma trabalhadora gestante é demitida sem justa causa durante o período de estabilidade, a empresa viola diretamente a legislação trabalhista. 

Nessas situações, a trabalhadora possui duas alternativas legais: solicitar a reintegração ao posto de trabalho ou receber indenização substitutiva correspondente ao período estabilitário.

Reintegração ao emprego

A reintegração consiste no retorno da trabalhadora ao cargo anteriormente ocupado, com pagamento integral dos salários e benefícios referentes ao período em que esteve afastada. 

Sendo assim, essa opção é viável quando o período de estabilidade ainda estiver em curso e a relação entre empregada e empregador permitir o retorno.

Indenização substitutiva

Caso a reintegração não seja possível ou desejável, a trabalhadora tem direito à indenização correspondente aos salários e encargos do período restante de estabilidade. 

Por exemplo, se a demissão ocorreu quando faltavam três meses para o término da proteção, a empresa deverá pagar o equivalente a esses três meses de salários.

Para garantir esses direitos, a gestante deve procurar orientação junto ao sindicato da categoria, advogado trabalhista ou diretamente no Ministério Público do Trabalho.

Como a medicina do trabalho protege gestantes?

A medicina do trabalho desempenha papel fundamental na proteção da saúde ocupacional das trabalhadoras gestantes. 

Durante os exames ocupacionais obrigatórios, como admissional, periódico e demissional, os médicos do trabalho avaliam as condições laborais e podem identificar situações que exigem adaptações ergonômicas ou mudança de função.

Além disso, o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) deve contemplar orientações específicas para gestantes, incluindo avaliação de riscos ambientais, recomendações sobre posturas adequadas e acompanhamento médico diferenciado. 

Portanto, empresas que investem em saúde ocupacional demonstram compromisso com o bem-estar das colaboradoras e reduzem significativamente os riscos de complicações durante a gestação.

A Clinimed oferece atendimento especializado para gestantes

A Clinimed Saúde Ocupacional dispõe de equipe multidisciplinar capacitada para realizar exames ocupacionais com foco no atendimento humanizado às trabalhadoras gestantes. 

Com estrutura completa e profissionais especializados, oferecemos avaliações clínicas criteriosas, orientações sobre adaptações ergonômicas e acompanhamento médico que respeita as particularidades da gestação.

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